Você já parou para notar o quanto as uvas e estilos de vinho oscilam de acordo com a moda? Na verdade, essa é uma questão que precisa de um olhar mais clínico para poder ter noção da dimensão desse assunto.

Antes de o século virar, era chique brindar com Prosecco, um espumante italiano feito com uvas de mesmo nome. No entanto, houve período em que o Chardonnay estava em alta aqui no Brasil, em especial os chilenos, que tinha muita oferta e um custo mais acessível.

Já o vinho laranja, resultado de macerar uvas brancas com cascas, foi um mini-hit à mesa de um povo mais bem antenado. E, assim como o Pinot Noir, os tintos da casta Primitivo também tiverem o seu hype. E em cada momento a moda se fazia presente.

Já os rosés são um grito que ecoa ao falar da tendência vínica, em especial os que advêm da região francesa de Provence, ao sul da França. Essa é a bebida de eventos, pool parties, desfiles e várias aglomerações fashion.

E foi inspirado nesse sucesso da atividade vinícola que muitas grifes têm escolhido os tons rosados para lançar rótulos com grife. Inclusive, alguns vinhos com etiqueta são capazes de satisfazer uma pessoa mais pelo conteúdo do que pelo símbolo de consumo estampado no rótulo.

Como a moda está ligada com o mercado do vinho?

A associação da bebida a uma marca que tem força global é importante para impulsionar as vendas. Um exemplo do quanto a moda está ligada com o mercado de vinho são as 15 mil garrafas de Rosa, o primeiro rótulo que veio de uma parceria entre Dolce & Gabbana e a vinícola siciliana Donnafugata.

Inclusive, foi possível vender todas as 15 mil garrafas em apenas uma semana. Aqui no Brasil, chegaram 400 unidades, as quais foram importadas pela World Wine que, também em pouco tempo, logo ficaram fora de estoque. Para acompanhar o vinho, um decanter cristal para deixar as notas ainda mais atenuadas era essencial.

Decanter de cristal
Decanter de cristal

O exemplar de Rosa, que custava cerca de R$522,00, teve que ter uma nova safra, tamanho foi o sucesso entre a parceria com a Dolce & Gabbana. O vinho foi feito com uvas tintas Nocera e Nerello Mascalese, autóctones da região da Sicília.

Em relação ao seu sabor, é fresco, delicado e bem estruturado, com aromas florais muito bem pronunciados e notas de peras, morangos e bergamotas. Ainda houve uma outra edição limitada de Tancredi.

Esse, por sua vez, foi apontado como um dos melhores e mais aveludados produtos de toda a vinícola. Ademais, teve seu nome inspirado em um personagem de O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa.

Sobre a parceria, Donnafugata afirma que fica feliz com o resultado visual das garrafas criadas pelos designers da Dolce & Gabbana, onde era possível usar as caixas com alça como um item de estilo.

Experiências fashion

Tal tendência aponta ser bem promissora no mundo da moda. A estilista nova-iorquina Nicole Miller, por exemplo, lançou no começo de 2020 um rosé elaborado com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc pelo Château Auguste, de Bordeaux.

Mas, enquanto Nicole optou pelo visual ultraminimalista para o rótulo, a grife australiana Ginger & Smart vestiu um lote limitado de Sauvignon Blanc, o qual foi cultivado e vinificado pela Crafters Union Wines.

Ademais, todas as estampas seguiam a paleta de cores e os grafismos da sua coleção na ocasião, o verão de 2019. Isso só mostra o quanto o mundo da moda e dos vinhos tem muito em comum. Ambos são capazes de contar algo através da textura, cores, estrutura e por meio da complexidade.

Grandes marcas por trás de grandes vinhos

Um dos maiores conglomerados de luxo do planeta, a LVMH, iniciou da fusão da maison Louis Vuitton e da empresa de vinhos e destilados Moët Hennesy. Inclusive, outras grifes como Fendi, Hermès, Givenchy, Dior e Pucci se uniram-se para ficar no universo do champanhe.

Veuve Clicquot, por exemplo, é uma das maiores marcas do portfólio vínico da LVMH, a qual mantém um diálogo com a moda. Afinal, convida estilistas a criar embalagens para o produto ou mesmo coleções de roupas que se inspiram no alaranjado do rótulo.

Ainda que não haja vinho com os famosos “Cs” da Chanel, ela é uma das gigantes da moda que investe nesse mercado, desde 1990. Afinal de contas, a empresa da família Wertheimer é dona de cinco vinícolas.

 

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